Nunca tinha restringido a minha alimentação na minha vida, mesmo tendo sido atleta federada durante oito anos. No entanto, de dezembro à primeira metade de janeiro senti a necessidade de mudar alguma coisa na minha rotina. Aliás, o meu corpo fez-se ouvir e pediu por mudança. Em três semanas, parou-me a digestão duas vezes e, nos dias que se seguiram à segunda vez, parecia que a comida se recusava a digerir, com longos e chatos episódios de asia e inchaço abdominal.

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Assim, no dia seguinte decidi que, durante duas semanas, iria cortar os alimentos que sei serem mais inflamatórios ou agressivos para o sistema digestivo: nada de pão, lactose, café e açúcar. Não para perder peso, nem com a ideia de "nunca mais vou comer isto", mas para dar uma pausa ao meu corpo e perceber se me estava a tornar intolerante a alguma coisa. Quis cortar o glúten por completo, mas a verdade é que me pareceu difícil demais para eu levar o desafio avante e decidi só reduzir o glúten e não comer pão de todo. Estranhamente, foi muito fácil e dei por mim a adaptar pequenas coisas que hei de continuar no meu dia-a-dia. Ah! Muito importante, eu odeio cozinhar, portanto, se foi fácil para mim, será fácil para qualquer pessoa.

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1- Não preciso de café para começar o dia

Como uma amante de café e assumidamente viciada em cafeína, não beber café especialmente pela manhã ou depois de almoço parecia absolutamente impossível. No entanto, um chá logo de manhã acabou por se tornar rotina e deixei de sentir necessidade daquela bomba de energia para começar a manhã. Não fui comprar nada de especial para este "desafio" e os chás que fui bebendo eram, sinceramente, o primeiro a que ia chegando na prateleira.

2- Os meus lanches/ pequenos-almoços não têm de incluir pão para me sentir satisfeita

Nada como uma torradinha no Inverno para aquecer a alma e o corpo. Pensei que cortar o pão seria demasiado difícil, mas fui substituindo por uma maior variedade de opções e sabores, como smoothies com aveia, iogurte com granola, fruta ou crepioca, e quebrar o movimento memorizado de colocar o pão na torradeira deixou-me mais entusiasmada por cada refeição.

3- Não preciso de "um docinho" depois da refeição

O docinho depois da refeição: o desejo mais difícil de domar. Nos últimos anos, caí no mau hábito de comer menos fruta, mas nestas duas semanas descobri que esta vontade por comer algo doce depois de almoçar ou jantar é facilmente satisfeita por uma peça de fruta, é só me lembrar de comprar algo que realmente me dê gosto comer quando for ao supermercado.

4- Há muito mais opções do que achamos

Ao entrar nestas duas semanas, pensei que ia ter que planear milimetricamente as minhas refeições para que tivesse todos os ingredientes necessários para comer de acordo com as regras que me impus. A verdade é que foi muito mais fácil do que imaginei: descobri a infinitude de bolachas sem açúcar (posso ou não ter-me viciado em bolachas Maria sem açúcar), fiz uma quiche sem glúten nem lactose que me durou três prazerosas refeições e comi de uma maneira completamente normal, repetindo refeições do meu dia-a-dia, mas diminuindo o impulso de comer massa com queijo, por exemplo.

Neste domínio, a única vez que senti falta de opções foi quando fui lanchar com uma amiga a um café. Acabei por comer uma taça de açaí que provavelmente tinha açúcar, mas a perfeição é a inimiga da ação e não censuro a minha decisão.

5- Posso começar a melhorar o meu estilo de vida a um domingo, uma terça-feira ou a uma quinta-feira

Comecei esta "dieta", se se pode assim chamar, a um domingo. No fundo é um bom lembrete que se quiser mudar algo na minha rotina, todos os dias são bons para começar: não tem de ser na primeira semana de janeiro, no primeiro dia da semana nem na primeira refeição do dia.

Comecei a comer sem restrições há 3 dias e, ao ir introduzindo alimentos, a minha digestão continua igual às últimas semanas. O que eu mais temia não é verdade (não sou intolerante a nada) e descobri que comer mais saudável pode ser tanto ou mais satisfatório (e fácil) do que comer o que for mais conveniente.