Há 7 anos comecei a gerir o marketing e a comunicação das clínicas 212.2 Ricardo Vila Nova, do tricologista com o mesmo nome, que se tornou conhecido no Reino Unido, quando em 2012 foi apelidado d'O Encantador de Cabelos pela Vogue britânica. Ao longo deste tempo, tenho descoberto os melhores tratamentos e os factos mais surpreendentes sobre a actividade capilar e não consigo não partilhar estas descobertas. É claro que a minha densidade não seria a mesma se tivesse seguido outro percurso profissional. São ossos (cabeludos) do ofício.
Cabelo oleoso
Quem tem cabelo oleoso - como eu - deve lavar o cabelo todos os dias. Não o fazer significa permitir-se a uma maior acumulação de sebo. Só o facto de ser oleoso, mesmo com uma lavagem diária, já implica acúmulo de gordura, criando uma inflamação constante no couro cabeludo. Não querendo ser pessimista, isto é o início de uma história de queda de cabelo.
A inflamação e o acúmulo de toxinas comprometem o funcionamento dos folículos, que produzem um cabelo mais fino, mais fraco, até culminar na inevitável queda. Este é o pior cenário. Mas se forem diligentes na lavagem diária com um champô neutro, se regularmente fizerem um detox ao couro cabeludo, a densidade estará sã e salva.
Transplantes
A queda de cabelo nos homens é gradual. É potenciado pela genética e poderá ser acelerada por factores externos como stress, acúmulo de toxinas, perda de peso, entre outros. Mas se começa a cair cabelo aos 23 e provavelmente só irá parar de cair aos 50, não podemos confiar que um transplante aos 30 irá resolver um problema que está em evolução. Provavelmente precisará de outro transplante aos 37, outro aos 44 e outro aos 50.
Mas depois do primeiro, não acredito que alguém tenha arcabouço para aguentar um segundo, quanto mais um terceiro e um quarto. E sendo que a área dadora é limitada, o mais provável é chegar ao ponto de não poder fazer mais nenhum procedimento antes de chegar ao terceiro procedimento. Solução: ou faz o transplante aos 50; ou começa a fazer tratamentos de medicina regenerativa no couro cabeludo pelos 21 e prolonga o tempo do seu cabelo; ou faz como eu e vai a Maastricht fazer o transplante.
Alopécia
Numa mulher, o diagnóstico de alopécia em fase inicial é um alerta — não um ponto final. É possível ter alopécia e nunca parecer ter tido alopécia, além de poder ter um cabelo melhor do que quem não tem. Se for detectada precocemente, o cuidado regular com tratamentos de tricologia vão prolongar a fase de crescimento do cabelo e optimizar a produção da cutícula. É como a pele que, pela ruptura de colagénio ao longo do tempo, se degrada e ganha linhas de expressão. Se fizer uso de skinboosters e/ou lasers, poderá recuperá-la e regenerá-la, diminuindo as rugas e evitando o envelhecimento precoce.
Medicamentos (e anestesia)
Da mesma maneira que a quimioterapia provoca queda de cabelo, a ingestão de medicamentos pode provocar a mesma reacção, embora num nível mais suave. Não só a quantidade de toxinas que se acumulam no couro cabeludo cria inflamação e afecta a produção de cabelo, como também interrompe o ciclo de crescimento, atacando as células dos folículos. A mesma reacção é provocada pela anestesia de uma operação cirúrgica.
Envelhecimento
Não é só a pele. O cabelo também envelhece. Embora o fio de cabelo seja considerado um tecido morto, o seu aspecto não deixa de ser influenciado pela actividade celular dos folículos. Sabemos bem do aparecimento dos cabelos brancos, mas nunca fomos informados que, com o passar dos anos, o crescimento de cabelo pode ficar mais "preguiçoso" - às vezes em determinadas partes da cabeça -; a textura pode ficar mais áspera e os fios podem ficar mais finos e quebradiços. O melhor é não esperar por surpresas e começar a cuidar do cabelo da mesma maneira que cuida da pele.
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